segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cláudio Cunha conta como era gostoso o nosso cinema

        Na década de 1970, Cláudio Cunha foi um dos mais poderosos produtores da chamada “Boca do Lixo” paulistana, local onde se produziram os principais filmes do ciclo conhecido como “pornochanchada”. Entre os grandes sucessos do produtor e diretor estão títulos hoje pouco lembrados, mas que levaram milhões de brasileiros ao cinema, tais como “Snuff – Vìtimas do Prazer” (1977), “Amada Amante” (1978) e “A Dama da Zona” (1979).


        Afastado do cinema desde a metade dos anos 80, hoje, Cláudio Cunha, aos 58 anos, está no livro Guinness como produtor e ator do espetáculo teatral mais longevo do mundo: “O Analista de Bagé”, em cartaz nos teatros brasileiros desde 1983. Nesta entrevista exclusiva ao cinequanon.art.br, ele solta o verbo e diz o que pensa do passado, do presente e do futuro do cinema brasileiro.


Fale um pouco sobre como você chegou ao cinema.



Cláudio Cunha – Minha primeira participação no cinema foi como ator, num filme do Roberto Mauro chamado “As Mulheres Amam por Conveniência” (1972). Na época, eu tinha uns 20 e poucos anos, e estava dando os primeiros passos na carreira: trabalhava na TV Excelsior como assistente de estúdio, e tinha planos de me tornar ator. Mas, o mais curioso foi como cheguei a querer me tornar ator. Durante a segunda metade da década de 1960, eu era funcionário público, havia conseguido este cargo por que fiz um discurso para o Adhemar de Barros (governador da época) que me colocou na Caixa Econômica Estadual, na Carteira Hipotecária. Era um alto emprego. Mas, em 1967, fui baleado numa briga de rua, fiquei um ano no Hospital do Servidor Público com a bala alojada na coluna cervical e, deprimido, num certo dia, decidi me jogar pela janela. Então, o Nicolau, um cara que tinha se operado das amídalas e que dividia o quarto comigo, me puxou, e quase teve uma hemorragia de tanto gritar socorro. A história ficou famosa, tenho até algumas reportagens antigas que falam sobre isso... Pois bem, depois desse episódio, ainda no hospital, assisti a um filme (cujo título não lembro) que falava sobre um jogador de basquete que sofrera um acidente parecido, e esse filme me deu força para enfrentar todo o problema. Comecei, assim, a me interessar por cinema e, no hospital mesmo, já comecei a pedir livros sobre o assunto. E decidi: “se eu sair daqui, vou me meter na vida artística”. Então, quando saí do hospital, nunca mais voltei para a Caixa Econômica: abandonei meu emprego e comecei a ser figurante da TV Excelsior.


Veja mais da entrevista em: http://www.cinequanon.art.br/index.html

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